terça-feira, 6 de março de 2012

Somos maus por isso?

Shame. Sexo, vício, desejo, culpa, solidão, desespero, descompromisso, fobia, prazer, dor. Vergonha. Dois irmãos com um passado difícil, sem referências familiares, incapazes de se relacionar entre si e com as outras pessoas em um nível acima do superficial. Com poucos diálogos, trilha sonora densa e muitas cenas de sexo, o filme mergulha no íntimo dos dois personagens, expondo, pouco a pouco, os seus dramas.

Brandon, um homem comum, com apartamento próprio e emprego, tem sua vida apoiada em amizades superficiais, encontros casuais, obsessão sexual e falta de envolvimento emocional. Com uma afetividade primitiva e atraente, domina as técnicas da sedução e do sexo, mas a única vez que chega perto de se envolver emocionalmente com uma mulher, não consegue transar com ela. Até que sua irmã Sissy reaparece, invadindo a sua casa, a sua privacidade, a sua “segurança”, reclamando insistentemente por atenção, implorando que a ligação entre eles seja refeita e que o irmão consiga curar o seu desespero. O mesmo desespero que existe camuflado dentro dele. E ao invadir a sua vida, Sissy destrói a sua rotina vazia e “estável”, obrigando-o a conviver e a enfrentar os seus medos. A presença de Sissy o incomoda por ver nela o seu próprio vazio, a sua incapacidade, ou por ela representar, ao mesmo tempo, a figura socialmente "sagrada" da irmã e a da mulher sensual, atraente, objeto de desejo de qualquer homem. Está instalado o caos. Por mais que Brandon tente fugir e recuperar a estabilidade da sua vida intensificando o seu prazer sexual, alguma coisa parece mudar. E a repetição cada vez mais freqüente dessas cenas só contribui para tornar o conflito mais evidente. Uma obra de arte sobre um assunto tão difícil.

Meu corte vai para duas cenas:

Cena 1 – Sissy canta “New York, New York” (Carey Mulligan cantora!);
Cena 2 – A tentativa de diálogo (a única entre os dois irmãos, onde o conflito é verbalizado).

A primeira cena:



A segunda cena:



“Nós não somos pessoas más. Só viemos de um lugar ruim.” – Sissy diz.


domingo, 4 de março de 2012

Luto suave e inquietante

Restless (Inquietos) trata de morte, perda, dor, desespero, de forma leve, madura, simples e introspectiva. A inquietação de dentro é (quase) sempre contida e transformada em sorrisos e clichés para amenizar a angústia, ou em um pouco de loucura para racionalizar a dor. Um romance entre dois adolescentes, Enoch e Annabel, que se comportam e se vestem como adultos de outra geração, tentando aceitar a morte como algo natural e pequeno diante de toda a história do universo.

“Quando você pensa, geologicamente, nossas vidas são só uma pequena partícula na linha do tempo... Humanos não existiram por uma fração do tempo que alguns répteis já existiram. Então, três meses é quase igual a três séculos ou três dias...” – Annabel diz.

Meu corte vai para a cena da “encenação da morte”, quando a inquietação começa a se expôr: