sábado, 24 de setembro de 2011

O sonho de sair do sonho americano

Revolutionary Road (Foi Apenas um Sonho) conta a história de um casal, Frank e April Wheeler, com dois filhos, que levam uma vida aparentemente perfeita aos olhos da sociedade americana dos anos 50, sendo, contudo, infelizes em seu casamento.  April é dona-de-casa e atriz fracassada, enquanto Frank é funcionário da empresa Knox, e odeia seu trabalho. Após sete anos de casados, buscando desmitificar a ilusão de que as pessoas têm que abdicar da vida e se estabelecer quando têm filhos, April tem a idéia de se mudarem para Paris, onde ela arrumaria um bom trabalho fora de casa, enquanto Frank teria tempo para pensar e começar um novo trabalho em algo que ele apreciasse.

“É irreal para um homem com uma mente boa trabalhar ano após ano num trabalho que ele não suporta. Viver num lugar que não suporta, com uma mulher que não suporta as mesmas coisas.” – April diz.

E assim começa a sua busca pelo sonho de sair do “sonho americano”...    

Meu corte vai para 3 cenas:

Cena 1 – A reprovação do sonho pela sociedade (“Que homem fica pensando na vida enquanto a mulher vai trabalhar?”);
Cena 2 – O conflito dentro dela (“Não posso partir. Não posso ficar.”);
Cena 3 – A verdade escancarada por um louco (“Percebeu que é mais confortável aqui no velho vazio sem esperança?”).

A primeira cena mostra algumas barreiras que a sociedade cria ao ser confrontada com a idéia de mudança, já que é “imaturo” viver fora dos padrões, e desejar a liberdade de fazer o que gosta. As pessoas não querem sair da sua “zona de conforto”; preferem viver a ilusão de uma sociedade livre e perfeita. A cena termina com um ato que servirá de pretexto para o fim do sonho e retorno à “zona de conforto”:



A segunda cena retrata o início do conflito que se instala dentro de April, com o fim do sonho de uma nova vida imaginada por ela. Assim, ela se vê num beco sem saída: não poderá partir para a nova vida junto com o marido e os filhos, e não conseguirá, ao mesmo tempo, continuar a vida que seu marido escolheu para eles. Ser casada e ter dois filhos – não é suficiente para ela:



A terceira cena começa com a exposição da primeira decisão tomada a partir do conflito interno de April – a de que ela não ama mais o seu marido; e termina com a verdade por trás dos fatos sendo reconhecida e escancarada pelo personagem menos provável, aquele considerado o “louco” da história: 



Um filme que revela a hipocrisia do começo ao fim, e a ilusão de liberdade em uma sociedade onde o “sonho americano” pode não servir para todos.



2 comentários:

  1. Tanho passado sempre por aqui, mas só agora deu tempo de escrever. Que delícia de blog! Textos inteligentes, reflexões super interessentes... alista de filmes para (re)ver não para de aumentar!!
    Beijo enorme e muita saudade
    Ana

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  2. Oi amiga!
    Obrigada pelas palavras! Vindas de você fico ainda mais feliz! O blog também é uma forma de eu nunca esquecer dos filmes que vi e gostei! E a minha lista de filmes pra ver e rever também só aumenta a cada dia! ;-)
    Que saudades de você!
    Super beijo!
    Gabi

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