quarta-feira, 21 de setembro de 2011

É fácil dizer "não"?

Hair, baseado em musical homônimo (Hair: The American Tribal Love-Rock Musical), retrata de forma única a contracultura hippie dos anos 60, anti-Guerra do Vietnã e anti-capitalismo. Neste cenário, o filme conta a história de Claude, um jovem humilde de Oklahoma, que, convocado para a Guerra do Vietnã, vai à Nova York para conhecer a cidade antes da guerra, mas o que acaba conhecendo é um grupo de hippies dispostos a lhe apresentar um novo estilo de vida, um tanto diferente do seu – uma vida de sexo livre, drogas, desprendimento material e familiar, em busca de “paz e amor”. Cabelos compridos contra curtos, roupas coloridas contra ternos monocromáticos, pacifismo contra alistamento militar obrigatório, amor-livre contra casamento, modo de viver alternativo contra o “american way of life”. Orgulho negro, homossexualismo, nudez, rock’n’roll, liberdade... E no meio disso tudo, uma mulher grávida de um lado, que não se importa em saber quem é o pai da criança, e uma mãe, de outro, suplicando a presença do pai do seu filho... Abro aqui, então, o tema liberdade (já comentado em Persépolis), ao lado de outros filmes como Easy Rider, Into the Wild, One Flew Over the Cuckoo's Nest, The People vs. Larry Flynt, Manderlay, Revolutionary Road, American Beauty (que terão postagens próprias)... Todos eles sobre formas, graus e lados de um mesmo conceito. 

Qual o preço da liberdade? E da responsabilidade? Quanto romper com uma sociedade conservadora, de desigualdades, injustiças, ilusões, consumismos, “direitos e deveres”, falsos moralismos, não é também romper com o próprio ser humano? Quanto romper com o sistema não é hipocrisia? Egoísmo? Uma segunda ilusão?...

Como falar em “consciência cósmica”, justiça social, amor à humanidade (??!) e negar um filho? Quanto dizer “não” é mais fácil que aceitar o outro (e a si mesmo)?

Meu corte vai para a cena que questiona a liberdade, o outro lado da moeda:




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