sábado, 27 de agosto de 2011

Quatro velhinhas muito humanas (e um cachorro obeso)

Les triplettes de Belleville. Um filme onde os personagens e ambientes falam sem palavras. Só uma meia dúzia talvez. A construção e caracterização de cada um deles é tão real que chega a ser (quase) surreal. Um contraste entre o ser e o ter, entre a sociedade do pensamento e a do consumo, entre sentir e se iludir, entre valores. Não é a toa que a heroína do filme é uma velhinha com uma perna maior que a outra, que atravessa o oceano em um pedalinho com seu cachorro obeso para resgatar, junto com outras três velhinhas (por sinal cantoras de cabaré), o seu neto ciclista seqüestrado por mafiosos. Cheio de referências e sentimento, meu corte vai para a casa das trigêmeas de Belleville. (A primeira de uma série de cenas de animação!).


Uma Casa Portuguesa
(Amália Rodrigues)

Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa fraqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existéncia singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tijela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!




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