sábado, 20 de agosto de 2011

Graça e o pai da Graça.

Dogville. Quando este filme saiu e eu tinha 17 anos eu lembro de comentar com o meu pai que a estória dessa moça era uma sátira da vida de Jesus.
Ele riu.
Talvez por que eu tenha usado a palavra errada (eu quis dizer analogia e não sátira mas usava errado a palavra "sátira" na época), ou talvez por não concordar que era de fato uma analogia da vida de Jesus, mas com certeza tem um fundo teológico no filme. Se não tiver um fundo teológico, tem pelo menos alguns simbolismos, mas eu não entendo dessas coisas.
O que eu sei é que a filosofia da garota (Grace) parece bastante com a filosofia de Jesus e o homem de quem ela foge e que todos temem (The Big Man), o chefe dos gangsters, tem uma filosofia bastante parecida com o Deus cristão.
Se isso for verdade não é a primeira vez que o Deus cristão é comparado com um gangster, na "Highway 61 revisited" de Bob Dylan tem um diálogo entre Deus e Abraão (Abe) que não lembra muito o pai amoroso e compreensivo que as pessoas costumam falar que ele é:
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Deus: Ei Abe, mate um dos seus filhos por mim!
Abe: Cara, você deve estar brincando.
Deus: Não.
Abe: O quê???
Deus: Abe, faz o que você quiser mas...
Abe: ...
Deus: ...da próxima vez que você me ver chegando é melhor você correr.
Abe: ...
Deus: ...
Abe: Onde você quer que eu faça a matança?
Deus: Na "Highway 61".
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Abe não deve ter achado um jeito de correr de um cara onipresente, mas voltando ao filme:
Esta cena bem interessante é uma cena do final do filme em que nossa Graça (Grace) faz uma "lavação de roupa suja" com o seu pai.
O filme é sobre arrogância.
Um filho arrogante e a arrogância do perdão.

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