quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Seus "anos dourados" seriam uma época diferente desta?

Midnight in Paris (Meia-Noite em Paris) mistura comédia, fantasia e realidade, onde o protagonista Gil Pender (Woody Allen encarnado em Owen Wilson!) circula entre a noiva superficial e blasé, os futuros sogros descontentes, o pedante amigo-flerte de sua noiva, além de artistas ícones do passado, como F. Scott Fitzgerald, Cole Porter, Hemingway, Picasso, Dalí, Buñuel, todos na Cidade Luz. E em meio a isso tudo, ainda conhece uma charmosa francesa... Gil viaja no tempo para se confrontar com a ilusão de que uma vida diferente da sua seria melhor. Quer uma crítica? Leia Woody Allen volta ao realismo fantástico para, de novo, desmistificar a arte.

Meu corte vai para duas cenas:

Cena 1 – O encontro com os surrealistas (“Eu vejo... um rinoceronte”);
Cena 2 – O insight (“Se ficar aqui, isso torna-se o seu presente, e logo vai começar a imaginar que outra época é que, realmente, é ‘seus anos dourados’”).

A primeira cena:



A segunda cena:




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Você cairia nessa?

Relacionamento não é fácil nem pra começar, nem pra terminar. E muito menos pra manter (poxa... alguém discorda?! por favor...). E é isso que Blue Valentine (Namorados Para Sempre) mostra. O começo e o fim de um casamento, onde um está sempre mais dentro que o outro, uma consegue ser mãe, trabalhadora, vadia, frígida, amorosa, indiferente, tudo ao mesmo tempo, e ambos não sabem lidar com seus sentimentos. Realista, fatalista, bonito, deprimente, não importa. Um relacionamento como qualquer outro, mas dirigido como poucos.  

Meu corte vai para a cena da cantada que deu certo:




sábado, 10 de dezembro de 2011

Escolha Vida!

Escolha Vida.

Escolha um emprego.

Escolha uma carreira,
uma família.

Escolha uma televisão,
uma televisão enorme.

Escolha um carro,
um carro do ano.

Escolha lavadoras, MP3 players
e abridores de latas elétricos.

Escolha saúde, colesterol baixo
e plano dentário.

Escolha uma hipoteca
a juros fixos.

Escolha sua primeira casa.

Escolha seus amigos.

Escolha roupas esportivas
e malas combinando.

Escolha um terno
numa variedade de tecidos.

Escolha fazer consertos em casa
e pensar na vida domingo de manhã.

Escolha sentar-se no sofá e ficar
vendo Sílvio Santos na TV
comendo porcaria.

Escolha apodrecer no final,
beber num lar que envergonha
os filhos egoístas que
pôs no mundo para substituí-lo.

Escolha uma religião.

Escolha um partido.

Escolha uma carreira
bem sucedida.

Escolha o seu futuro.

Escolha saúde.

Escolha viver.

Escolha Vida.


Mas por que eu iria querer isso?

Escolhi não ter escolha.

Quem precisa de escolhas
quando se tem heroína?




quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Melancolia contemplativa

A Terra será destruída pela Melancolia. É com essa metáfora que se constrói o filme Melancholia (Melancolia), onde a notícia da rota de colisão entre o planeta Terra e o planeta Melancolia (a “dança da morte”) é recebida de diferentes formas pelos quatro personagens: Justine, a melancólica, que não vê o menor sentido em regras sociais, e que se torna uma paralítica emocional para depois se conformar; Claire, a irmã “normal” de Justine, que se desespera com a idéia de perder tudo o que tem; John, marido de Claire, astrônomo amador que se nega a aceitar a hipótese da colisão até o último instante; e Leo, o pequeno filho do casal, protegido por eles da idéia do fim. E a “dança da morte” acontece. Mas sem grandes explosões ou milhões de seres humanos sendo engolidos por crateras... Aqui o fim tem o foco em uma única família, dissecando o interior de cada personagem: a contraposição de valores, o apego a rituais e ilusões, a depressão profunda seguida pela conformidade, e os surtos de desespero e covardia. Os sentimentos genuínos que extravasam de cada um deles. Se o seu mundo é sustentado apenas por regras ditadas e falsas convicções, não é difícil imaginar que ele se desmorone ao entrar em choque com a realidade...

Meu corte vai para o prólogo, um poema sobre o fim do mundo ao som de Wagner:



“A Terra é má. Ninguém sentirá falta dela.” – Justine diz (leia Os infortúnios da melancolia).

Se não há esperança quanto à Melancolia, só nos resta contemplá-la... (romântico, não? O diretor já dizia...)


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Você consegue definir felicidade, fidelidade e amor? Cuidado...

Scener ur ett äktenskap (Cenas de um Casamento) conta a história de Marianne e Johan – ele, um professor universitário, ela, uma advogada especialista em divórcio – após dez anos de casamento. A série, dividida em seis episódios (cenas), fala sobre a ilusão de felicidade, fidelidade e amor num casamento. Sobre traição e divórcio. Sobre a falta de comunicação. E sobre a incapacidade de olhar para dentro (leia Ingmar Bergman e a Vida de Casado).

Meu corte vai para a cena dentro da primeira cena, onde Marianne é questionada sobre o que é a felicidade, a fidelidade e o amor num casamento:



Tenho que confessar: de tão verdadeiro, foi difícil terminar de assistir. Acabei a terceira cena e fiquei algum tempo procurando coragem pra ver o resto. Tenho a péssima mania de ver uma obra de arte e me projetar nela. Nunca saio ilesa. Mas as próximas cenas só mostrarão quão incapazes nós somos quando se trata de sentimento, quase ridículos.

“Somos analfabetos emocionais. Aprendemos anatomia e métodos de cultivo na África. Sabemos fórmulas matemáticas de cor e salteado. Mas não nos ensinaram nada sobre nossas almas. Somos tremendamente ignorantes sobre o que move as pessoas.” – Johan diz.

Não desejo pra mim, nem pra ninguém. Tanta incapacidade, não a série. A série é fantástica. Escolha um dia que você esteja com o astral lá em cima e veja...


I Corintios 13
1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,
5 não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;
7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;
10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.
Paulo de Tarso


“Se Paulo estiver certo sobre o amor, ele é tão raro que quase ninguém o vivencia...”

Será por isso que achamos lindo? Porque (quase) ninguém é capaz de alcançá-lo?
...


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sete regras simples para a vida na clandestinidade

I’m Not There (Não Estou Lá). Um filme sobre a vida e obra de (um músico que sou fã) Bob Dylan, onde seis personagens encarnam diferentes fases de sua vida, numa mistura de mito e realidade. Quer uma discussão mais aprofundada? Está aqui.

Minha cena vai para um dos diálogos de Dylan com o público. Como viver na clandestinidade? Quais outros homens nesse mundo tiveram a ousadia de representar tantos personagens em vida?



De fato, “não há como ser criativo sem correr riscos na vida”.



domingo, 30 de outubro de 2011

O Dilema do Drogado

Mulher histérica. Cheiro de morte. Silêncio. Desespero. Criança morta. Putrefação.
Ele devia estar chorando há dias. Mas ninguém ouviu.
Um grupo trancado numa casa, depois de dias se drogando pesadamente com heroína "por diversão", encontra o bebê morto de fome ainda no berço. Ninguém ouviu ele chorando. Ele devia estar chorando há dias.
Mark se depara com o Dilema do Drogado:
Isso é motivo para parar de usar drogas? Ou é motivo para usar mais ainda?
Esse é o tema de Trainspotting.


sábado, 29 de outubro de 2011

Vá fazer uma massagem nos pés!

(Go get yourself a foot massage! Bem melhor né?)


Whatever Works (Tudo pode dar certo) é, simplesmente, um dos meus preferidos do Woody Allen – dentre filmes incríveis de 2002 pra cá (que eu considero, de longe, sua melhor fase). Um filme sobre o rabugento Boris Yellnikoff, nova-iorquino de meia-idade, ateu, anti-social, professor de mecânica quântica, que se acha um verdadeiro gênio em meio a tanta gente ignorante. Um personagem cativante! Então, um belo dia, uma bela garota, Melodie St. Ann Celestine, entra em sua vida de uma forma totalmente inesperada, trazendo consigo toda a sua ingenuidade e ignorância... Bom, no fim, tudo pode dar certo!

Meu corte vai para a primeira cena do filme, onde Boris descasca suas ideologias sobre religião, relacionamentos, normas sociais, natureza humana, trazendo à tona questões como a busca pela felicidade, por uma identidade, pelo significado da existência, que acompanharão o resto do filme (e que me fez querer muito tê-lo assistido no cinema...):



“Todas elas são baseadas na idéia falaciosa de que as pessoas são, essencialmente, decentes. Dê a elas a chance de fazer certo e elas o farão.”

Coisa de gênio mesmo. Boris = Woody?

“E, mesmo assim, (com toda a mania de saúde) ainda chega o dia em que te colocam em um caixão e virá a próxima geração de idiotas que também te falará sobre a vida e definirá o que é apropriado.”

Apropriado??! Jesus... Ai de quem venha me dizer o que é apropriado nessa altura do campeonato! Ai de quem queira tirar o açúcar do meu suco de laranja, o leite condensado do meu chocolate quente, a macarronada super temperada das minhas noites, minhas horas mal-dormidas, e ainda dizer que vive mais quem dorme cedo, acorda cedo e come menos! So what?? Ai de quem! Como diria Pondé, sem abusar da vida, não vale a pena viver tanto.

E a mania de querer ser feliz? De querer agradar?? Jesus em dobro... Pondé também diria que isso é coisa de retardado... E o nosso cativante Boris, que “carisma nunca foi prioridade para mim”. Simples assim!

Uma comédia que me fez chorar, desta vez, de tanto rir (eu, que nem gosto de comédias! Mas adoro rir...). Assistam se quiserem!


domingo, 23 de outubro de 2011

Experimente ler o mesmo livro dez anos depois...

“Uma obra de arte lembra a vocês, o que vocês são agora.” – Kepesh diz.

E assim começa Elegy (ou Fatal, segundo nossos tradutores...). Baseado no romance “The Dying Animal” de Philip Roth, o filme conta a história de David Kepesh, um homem de meia-idade, professor e crítico de literatura, que não se contenta em envelhecer “como outros de sua idade”. Separado de sua ex-mulher, e julgado com rancor pelo filho, confidencia sua vida ao melhor amigo George, e recebe visitas regulares de sua antiga amante Carolyn, sendo incapaz de se comprometer com uma mesma mulher. E nesse contexto, conhece Consuela, sua jovem e bela aluna cubana, com quem passa a ter um relacionamento tão intenso quanto conturbado, na medida em que não consegue lidar com a diferença de idade e expectativas, e com a beleza e juventude que exalam dela.  Um verdadeiro poema lírico sobre desejo e morte. Sobre a fragilidade da existência.

Meu corte vai para duas cenas:
Cena 1 – A surpresa da velhice (“A velhice não é feita para covardes.”);
Cena 2 – A invisibilidade da beleza feminina (“Ficamos tão deslumbrados com o exterior que não exergamos o interior.”).

A primeira cena nos confronta com a idéia do envelhecer conforme os padrões, e nos faz a pergunta: “Pode ‘Guerra e Paz’ tornar-se um livro diferente porque o lemos?”. E se o relermos dez anos depois? Com certeza, quem já leu um mesmo livro com um certo espaço de tempo vai ter a resposta na ponta da língua. E mesmo quem nunca o fez, consegue imaginar o óbvio. E isso vale para um filme, uma pintura, qualquer obra de arte. Mas e se algo dentro de nós nunca mudar? E se nosso corpo decadente continuar a abrigar uma mente em plena ascensão? O que é envelhecer com coragem?



A segunda cena fala sobre beleza. Beleza exterior feminina. Somos sempre vistas como conchas? E o contrário é verdadeiro? Definitivamente não. Mulheres costumam erotizar a personalidade masculina. Uma mistura de inteligência com virilidade. Não ficamos muito tempo contemplando a concha. Ao mesmo tempo em que podemos começar a enxergar pérolas em conchas, à primeira vista, sem charme.



Uma elegia sobre a coragem de um homem sábio em viver seus próprios sentimentos e desejos, ou sobre a sua falta de coragem que passa a ser revista diante da proximidade da morte?

De uma forma ou de outra, um filme que merece ser sentido. Que me fez chorar alguns litros de água (eu, que não choro tanto assim). Estamos envelhecendo...


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Basta! Estou de ovários cheios!

Onírico, crítico e hilário, La città delle donne (Cidade das Mulheres) conta a história de um homem, Snàporaz, que, durante uma viagem de trem, acorda em frente a uma bela mulher (na sua visão de homem) que flerta com ele, sutilmente, sendo esta, motivação suficiente para que ele a persiga fora do trem (mesmo o trem tendo parado no meio do nada), seguindo-a através da mata até chegar a um hotel, onde está acontecendo um congresso feminista. E aí começa a aventura: Snàporaz é perseguido por uma mulher grande e sexualmente agressiva, por adolescentes lésbicas e drogadas, pela polícia feminista, pela esposa insatisfeita, sendo, finalmente, levado a conhecer a mulher ideal, que não dura muito... Uma viagem por todas as mulheres de sua vida, e pelas mulheres rotuladas pela visão feminista: as que odeiam homens, as putas e as maternais. Uma fantasia que brinca com a fantasia do homem em relação à mulher... Fantasia e medo. Mais um filme do gênio.

Me desculpem as feministas fervorosas (feminismo virou religião?), mas... não dá pra engolir igualdade entre os sexos, sutiãs queimados, nem rivalidade com os homens. Acho que somos mais inteligentes do que isso. O problema é que os homens sempre tiveram medo de mulheres inteligentes... (leia "Femmes aux hommes").

Sem querer tirar o mérito de anos de luta pela redução da opressão ao “sexo frágil”, não somos um sexo frágil. Nem de longe. E queremos homens em nossas vidas. E nada de homens fracos (leia Do batom vermelho no trabalho).

Como diria minha amiga, “o feminismo foi iniciado por mulheres altamente reprimidas que na ânsia de liberdade confundiram características femininas com fraqueza. Não somos homens, não queremos ser como homens e não queremos que homens se comportem como mulheres”.

Meu corte vai para a convenção de feministas, da vagina ao manicômio (!):



“Casa sem mulher, dizem na minha terra, é como um mar sem sereia.”

Imagine viver numa Cidade das Mulheres... Nem a pau! (Oops... sorry!)


domingo, 2 de outubro de 2011

Se tivesse menos ansiedades morais, teria sido excelente

Com roteiro de Bergman e dirigido pela sua ex-mulher e ex-musa, a atriz e diretora Liv Ullmann, Trolösa (Infiel) é um filme de caráter quase autobiográfico, para ambos os lados: Bergman teve um relacionamento com uma mulher casada, que acabou em gravidez e em briga na justiça entre ela e o marido traído pela guarda dos filhos, enquanto Liv deixou o marido para viver com o diretor, com quem também teve uma filha. A arte que imita a vida. E por isso mesmo, um filme forte, sincero e destruidor.

Infiel conta a história de Marianne, uma atriz casada com o maestro Markus, com quem tem uma filha, Isabelle, e uma vida feliz, incluindo aí elementos como sucesso profissional, bens materiais, amor, sexo. Tudo em abundância. Mas um dia, tomada por uma paixão inexplicável e imprevisível, Marianne passa a ter um relacionamento secreto com David, um homem neurótico, ciumento e autodestrutivo, e o melhor amigo do marido. E aí começa a tragédia: desejo cego e incontrolável, traição, obsessão, dependência da paixão romântica, omissão, descoberta da infidelidade, humilhação, disputa pela guarda da pequena Isabelle, divórcio, culpa e dor. Muita dor. No fim, são todos infiéis. E só o que sobra (na ficção) é Isabelle. E (na realidade da ficção) o velho diretor, que traz à tona a existência de todos os personagens.

Meu corte vai para a cena em que Marianne reconhece a contradição em que vivia (seguida da descoberta da traição pelo marido e início da tragédia):

“Eu tinha dois homens. Foi mais fácil do que pensei. Se tivesse menos ansiedades morais, teria sido excelente. Até mesmo divertido.”



Somos mesmo, assim, tão dependentes da paixão, do amor romântico? Ou melhor: o ser humano vive sem ele? É inesperadamente acometido por ele, como um vírus que se pega pelo ar? Ou está sempre buscando-o?...

Há quem diga que o amor romântico seja como uma doença (leia Heloisa)... concordo.

E quanto ao nosso comportamento sexual enquanto espécie humana? Somos uma espécie monogâmica? Poligâmica? Onde entra a infidelidade? Há quem diga que na escala da poligamia, estamos exatamente no centro. Nos 50%. Em cima do muro. Um pouco pra direita e nos tornamos poligâmicos como o roedor da montanha (Microtus montanus). Um pouco pra esquerda e seremos monogâmicos como o roedor da pradaria (Microtus ochrogaster). Daí a eterna insatisfação... (leia O enigma da monogamia, apenas como curiosidade...).

De fato, inúmeras pesquisas são realizadas e artigos não param de sair sobre o tema. Com resultados diversos. Mas desvencilhar “natureza” de “cultura” é um pouco mais complicado... Daí as “ansiedades morais”, que surgem da contradição de um desejo físico e emocional a um comportamento adequado e moral.

“Eu me repreendo. Eu devia estar contente.” – Marianne diz.

Uma coisa é certa: se o amor romântico chega, ele arrebenta. Mas se chega, é porque deixamos ele chegar.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Não Tenho Problemas Com Drogas, Só Tenho Problemas Com a Polícia.

Esta é só uma frase de efeito que um professor me falou, não acredito que ele use drogas nem que tenha problemas com a polícia.
Pensando sobre isso, cito um trecho do livro de Rubem Fonseca (O Caso Morel) onde um personagem fala:
"Todo maconheiro é um medroso: pequenos atos ilícitos, pequenas imoralidades, pequenos desconfortos, pequenos riscos. Já passei por isso."
De fato, nunca vi nenhum maconheiro ter problemas com drogas, a não ser ficar meio letárgico, mas isso não parece ser um problema para ele. Claro que tem aquelas pessoas que são indiretamente afetadas pelos maconheiros, eu por exemplo, que nunca coloquei um cigarro de maconha na boca, já fui uma vítima clássica: Uma garota, amiga minha na época do ensino médio, quando fumava um baseado com os amigos maconheiros dela, sempre acabava com TODO o meu lanche que eu levava para a escola (um cereal chamado muslix que deveria durar a semana inteira, mas não durava). Coitado de mim.
Mas sim, estas pessoas do bem tem problemas com a polícia, basta olhar as letras do Planet Hemp reclamando malandramente que tem que jogar o bagulho dele na descarga sempre que a polícia invade a CASA dele em busca de alguma picaretagem. Além de uma outra história aqui ou ali de pessoas pouco confiáveis.
Tenho muitos amigos que fumam, principalmente morando nesta Marijuanaland que é Campinas - Barão Geraldo - Unicamp, onde você pode arranjar maconha em qualquer lugar "de boa". Para saber onde comprar basta aparecer em alguma festa da Unicamp ou perguntar para algum segurança que trabalha no campus (É SÉRIO!!!). Mas quando você mora no Rio de Janeiro e vê o "movimento do trafico" descendo o morro para matar motoristas de ônibus e mandando fechar o comércio no centro do seu bairro, quando seus amigos ficam com medo de sair de casa por causa de bala perdida, você começa a pensar, "Porra, ou legaliza logo essa merda ou pára de fumar maconha aí, por que assim já tá foda!"
Vamos ver aquela [mais clássica de todas] cena em que a gente se pergunta se o problema é a polícia ou o maconheiro.
Quem é que matou esse cara?



sábado, 24 de setembro de 2011

O sonho de sair do sonho americano

Revolutionary Road (Foi Apenas um Sonho) conta a história de um casal, Frank e April Wheeler, com dois filhos, que levam uma vida aparentemente perfeita aos olhos da sociedade americana dos anos 50, sendo, contudo, infelizes em seu casamento.  April é dona-de-casa e atriz fracassada, enquanto Frank é funcionário da empresa Knox, e odeia seu trabalho. Após sete anos de casados, buscando desmitificar a ilusão de que as pessoas têm que abdicar da vida e se estabelecer quando têm filhos, April tem a idéia de se mudarem para Paris, onde ela arrumaria um bom trabalho fora de casa, enquanto Frank teria tempo para pensar e começar um novo trabalho em algo que ele apreciasse.

“É irreal para um homem com uma mente boa trabalhar ano após ano num trabalho que ele não suporta. Viver num lugar que não suporta, com uma mulher que não suporta as mesmas coisas.” – April diz.

E assim começa a sua busca pelo sonho de sair do “sonho americano”...    

Meu corte vai para 3 cenas:

Cena 1 – A reprovação do sonho pela sociedade (“Que homem fica pensando na vida enquanto a mulher vai trabalhar?”);
Cena 2 – O conflito dentro dela (“Não posso partir. Não posso ficar.”);
Cena 3 – A verdade escancarada por um louco (“Percebeu que é mais confortável aqui no velho vazio sem esperança?”).

A primeira cena mostra algumas barreiras que a sociedade cria ao ser confrontada com a idéia de mudança, já que é “imaturo” viver fora dos padrões, e desejar a liberdade de fazer o que gosta. As pessoas não querem sair da sua “zona de conforto”; preferem viver a ilusão de uma sociedade livre e perfeita. A cena termina com um ato que servirá de pretexto para o fim do sonho e retorno à “zona de conforto”:



A segunda cena retrata o início do conflito que se instala dentro de April, com o fim do sonho de uma nova vida imaginada por ela. Assim, ela se vê num beco sem saída: não poderá partir para a nova vida junto com o marido e os filhos, e não conseguirá, ao mesmo tempo, continuar a vida que seu marido escolheu para eles. Ser casada e ter dois filhos – não é suficiente para ela:



A terceira cena começa com a exposição da primeira decisão tomada a partir do conflito interno de April – a de que ela não ama mais o seu marido; e termina com a verdade por trás dos fatos sendo reconhecida e escancarada pelo personagem menos provável, aquele considerado o “louco” da história: 



Um filme que revela a hipocrisia do começo ao fim, e a ilusão de liberdade em uma sociedade onde o “sonho americano” pode não servir para todos.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

É fácil dizer "não"?

Hair, baseado em musical homônimo (Hair: The American Tribal Love-Rock Musical), retrata de forma única a contracultura hippie dos anos 60, anti-Guerra do Vietnã e anti-capitalismo. Neste cenário, o filme conta a história de Claude, um jovem humilde de Oklahoma, que, convocado para a Guerra do Vietnã, vai à Nova York para conhecer a cidade antes da guerra, mas o que acaba conhecendo é um grupo de hippies dispostos a lhe apresentar um novo estilo de vida, um tanto diferente do seu – uma vida de sexo livre, drogas, desprendimento material e familiar, em busca de “paz e amor”. Cabelos compridos contra curtos, roupas coloridas contra ternos monocromáticos, pacifismo contra alistamento militar obrigatório, amor-livre contra casamento, modo de viver alternativo contra o “american way of life”. Orgulho negro, homossexualismo, nudez, rock’n’roll, liberdade... E no meio disso tudo, uma mulher grávida de um lado, que não se importa em saber quem é o pai da criança, e uma mãe, de outro, suplicando a presença do pai do seu filho... Abro aqui, então, o tema liberdade (já comentado em Persépolis), ao lado de outros filmes como Easy Rider, Into the Wild, One Flew Over the Cuckoo's Nest, The People vs. Larry Flynt, Manderlay, Revolutionary Road, American Beauty (que terão postagens próprias)... Todos eles sobre formas, graus e lados de um mesmo conceito. 

Qual o preço da liberdade? E da responsabilidade? Quanto romper com uma sociedade conservadora, de desigualdades, injustiças, ilusões, consumismos, “direitos e deveres”, falsos moralismos, não é também romper com o próprio ser humano? Quanto romper com o sistema não é hipocrisia? Egoísmo? Uma segunda ilusão?...

Como falar em “consciência cósmica”, justiça social, amor à humanidade (??!) e negar um filho? Quanto dizer “não” é mais fácil que aceitar o outro (e a si mesmo)?

Meu corte vai para a cena que questiona a liberdade, o outro lado da moeda:




domingo, 11 de setembro de 2011

Seria ótimo se você pudesse... ser meu amigo

Mary e Max, Uma Amizade Diferente (como acrescentam nossos tradutores): um filme onde personagens feitos de argila conseguem transpor para a tela seus dilemas mais profundos e se tornarem tão humanos quanto os personagens da vida real. Inspirada em fatos reais, a animação conta a história de Mary Daisy Dinkle, uma australiana de 8 anos, filha de mãe alcoólatra e pai ausente, que, em busca de amizade, começa a se corresponder, ao acaso, com Max Jerry Horowitz, um nova-iorquino de 44 anos, judeu-ateu, solitário, obeso e que sofre de um tipo especial de autismo.     

Uma história sobre solidão, medos, dificuldade de interação social, bullying, síndrome de Asperger, amor, aceitação, confiança, depressão, perdão e amizade. Meu corte vai para a primeira troca de correspondências, o início da inesperada amizade:




segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A liberdade sempre tem um preço

Persépolis tem como fundo o cenário político do Irã entre o final dos anos 70 e início dos 90, desde a queda da ditadura do Xá até a Revolução Iraniana, a instauração do regime islâmico fundamentalista e repressor, e a Guerra contra o Iraque. Neste contexto, o filme conta a vida de Marjane Satrapi: a sua infância no Irã junto aos pais, intelectuais de esquerda, e à avó materna, sua melhor amiga; a sua adolescência na Áustria, onde foi “exilada” pelos pais e viveu seus maiores conflitos; seu retorno ao Irã, seguido por uma depressão, pelo ingresso na universidade, casamento, divórcio; e sua ida definitiva para a França. Uma história sobre família, repressão religiosa, contestação, censura, violência, perdas, descoberta do amor, infidelidade, amizade, preconceito, depressão, arte e liberdade.

A cena que escolho mostra alguns momentos antes do “exílio” de Marjane na Áustria, passando pela sua indignação frente ao novo regime dos aiatolás e pela realidade vivida pelas mulheres naquele Irã. A cena termina com um conselho da personagem mais cativante do filme (e da vida de Marjane), que faz a diferença em várias passagens de sua autobiografia. Mas isso é só a minha opinião. Como fã incondicional de quadrinhos, recomendo os quatro volumes da graphic novel Persépolis, ou a sua edição única, recentemente lançada. Sem igual.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Bêbados velhos, velhas mágicas e uma nova amizade

No mesmo estilo de Les triplettes de Belleville, L'illusionniste (O Mágico) é também um contraponto silencioso entre o velho e o novo, entre o humor ingênuo à moda antiga e a modernidade pop e consumista. Mas neste caso, ao invés de vencer, o velho aceita o novo. Uma história triste, mas muito bonita (foi essa a primeira palavra que me veio à cabeça assim que o filme acabou). A história de uma amizade que nasce do imprevisível entre um mágico decadente (o velho) e uma garota pobre (o novo), durante a sua luta desesperada, mas determinada, para manter a profissão. Meu corte vai para a velha hospedaria escocesa, cheia de bêbados e humor, onde a amizade começa:

  


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A natureza dentro dela: 70% má

70% apenas para dizer que é maior do que a metade, mas menor do que a totalidade. O resto, com certeza, não é só bondade. Não somos apenas bons e maus, dicotômicos. Somos uma pluralidade de sentimentos e ações, uma complexidade de conexões, entre estímulos e respostas. Tão complexo quanto incompreendido. Mas talvez a mulher tenha, sim, uma maior capacidade para a maldade. Psicopatas são em sua maioria homens, mas homens doentes. Se olharmos para os normais (estatisticamente falando), o mundo está cheio de mulheres aparentemente inofensivas. Mas capazes de fingir dor, felicidade, desespero, orgasmo. Podem ser vítimas, loucas, femme fatale, na hora mais conveniente. Enquanto a vingança dos homens é física (quando pensam em vingança), a das mulheres é psicológica. Em casos patológicos, homens matam. Mulheres torturam sua vítima até que ela se mate. São dissimuladas (em vários níveis). Seduzem e enganam. Agem de acordo com a intensidade da emoção. Manipulam psicologicamente. E podem sentir prazer com o sofrimento.

“Uma mulher chorando é uma mulher tramando.” – Ela diz.

Uma bomba na mão de homens arrogantes, prestes a explodir (como o pai de Nic). Mas pode ser que a mãe seja realmente louca, ou talvez doente, e aí fuja da estatística. E não tenha a natureza 70% má, mas 70% doente. Então não haveria espaço para um Anticristo. Ou haveria? E como saber se quem escreve a tese é o próprio Anticristo?

Mas o filme não é sobre isso. Anticristo é antes um filme de fundo teológico. Uma referência, talvez, à mulher que carrega em si o mal da humanidade (leia O terror no Éden). Meu corte vai para o prólogo, a abertura para o caos:



“As mulheres não controlam o seu próprio corpo. A natureza o faz.” – Ela diz.

Um filme pesado para mentes leves.


sábado, 27 de agosto de 2011

Quatro velhinhas muito humanas (e um cachorro obeso)

Les triplettes de Belleville. Um filme onde os personagens e ambientes falam sem palavras. Só uma meia dúzia talvez. A construção e caracterização de cada um deles é tão real que chega a ser (quase) surreal. Um contraste entre o ser e o ter, entre a sociedade do pensamento e a do consumo, entre sentir e se iludir, entre valores. Não é a toa que a heroína do filme é uma velhinha com uma perna maior que a outra, que atravessa o oceano em um pedalinho com seu cachorro obeso para resgatar, junto com outras três velhinhas (por sinal cantoras de cabaré), o seu neto ciclista seqüestrado por mafiosos. Cheio de referências e sentimento, meu corte vai para a casa das trigêmeas de Belleville. (A primeira de uma série de cenas de animação!).


Uma Casa Portuguesa
(Amália Rodrigues)

Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa fraqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existéncia singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tijela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!




sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fomos longe demais

Die Welle (A Onda), nome dado ao movimento criado pelos estudantes e professor de um curso especial de uma semana sobre autocracia, mostra que o “nazi-fascismo não morrerá entre nós”. O filme, baseado em fatos reais, descreve (em um nível mais amplo) como a ditadura, apesar de tão criticada e combatida, atrai as pessoas em torno de idéias simples como igualdade, poder da comunidade (“a união faz a força”) e poder de uma causa (ou inimigo) em comum, aliadas ao carisma de um líder. É senso quase comum pensar que regimes autoritários forçam; eles também atraem. (Afinal, os muitos mais fracos, mais pobres, ou mais desprovidos, sempre desejarão se igualar aos poucos mais fortes, mais ricos, ou mais bem-sucedidos... saúde, comida e uniforme para todos!) Este é mais um filme que se passa no universo escolar de adolescentes, e meu corte vai para a cena (uma das últimas do filme) em que a realidade é colocada de volta aos olhos dos estudantes. A onda acabou?


sábado, 20 de agosto de 2011

Graça e o pai da Graça.

Dogville. Quando este filme saiu e eu tinha 17 anos eu lembro de comentar com o meu pai que a estória dessa moça era uma sátira da vida de Jesus.
Ele riu.
Talvez por que eu tenha usado a palavra errada (eu quis dizer analogia e não sátira mas usava errado a palavra "sátira" na época), ou talvez por não concordar que era de fato uma analogia da vida de Jesus, mas com certeza tem um fundo teológico no filme. Se não tiver um fundo teológico, tem pelo menos alguns simbolismos, mas eu não entendo dessas coisas.
O que eu sei é que a filosofia da garota (Grace) parece bastante com a filosofia de Jesus e o homem de quem ela foge e que todos temem (The Big Man), o chefe dos gangsters, tem uma filosofia bastante parecida com o Deus cristão.
Se isso for verdade não é a primeira vez que o Deus cristão é comparado com um gangster, na "Highway 61 revisited" de Bob Dylan tem um diálogo entre Deus e Abraão (Abe) que não lembra muito o pai amoroso e compreensivo que as pessoas costumam falar que ele é:
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Deus: Ei Abe, mate um dos seus filhos por mim!
Abe: Cara, você deve estar brincando.
Deus: Não.
Abe: O quê???
Deus: Abe, faz o que você quiser mas...
Abe: ...
Deus: ...da próxima vez que você me ver chegando é melhor você correr.
Abe: ...
Deus: ...
Abe: Onde você quer que eu faça a matança?
Deus: Na "Highway 61".
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Abe não deve ter achado um jeito de correr de um cara onipresente, mas voltando ao filme:
Esta cena bem interessante é uma cena do final do filme em que nossa Graça (Grace) faz uma "lavação de roupa suja" com o seu pai.
O filme é sobre arrogância.
Um filho arrogante e a arrogância do perdão.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sou apenas uma escultura sem braços

Paris, maio de 1968. The Dreamers conta a história do estudante americano Matthew, que se envolve com os irmãos franceses Theo e Isabelle, com quem compartilha sua paixão pelo cinema clássico misturada à perversão e à inocência, completamente alheios à revolução que se instaura no país. Fui desafiada a citar bons filmes sobre adolescentes, então a primeira cena (de uma série!) vou apelidar de “Vênus de Milo”:



sábado, 13 de agosto de 2011

Se você me quer, satisfaça-me

Once. A história de duas pessoas que se conhecem, discutem antigos relacionamentos e se envolvem, tudo através da música. Simples e tocante. Especialmente porque o personagem principal é, na realidade, compositor, vocalista e guitarrista da banda The Frames, e o diretor, ex-baixista (!). Meu corte vai para a cena de If You Want Me:  

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vagabundos por fora, bibliotecas por dentro

Farenheit 451: “a temperatura em que o papel dos livros incendeia e começa a queimar” (!). Com esse título (um tanto quanto nerd), o filme, adaptado de romance homônimo, conta a história de um futuro onde livros são proibidos, por ameaçarem a felicidade das pessoas, cabendo aos “bombeiros” queimá-los e perseguir/prender aqueles que os mantêm. Neste cenário, a cena que escolho mostra a comunidade formada pelas pessoas-livro, refugiados da sociedade que escaparam (de uma forma ou outra) das perseguições e se propuseram a manter vivo o conteúdo dos livros:

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A realidade é diabólica

Persona. Em poucas linhas, a história de uma atriz (Elisabeth) que parou de falar sob os cuidados de uma enfermeira (Alma) que descobre que a sua persona começa a se fundir com a dela. Psicológico, existencial, filosófico, pura arte. E a cena que escolho sintetiza o conflito, ou a verdade por trás da mentira:


segunda-feira, 11 de julho de 2011

A escola de Fellini

Ok. Vamos falar de filmes. Quer dizer, vamos falar de cenas de filmes. Vou começar então com um dos meus preferidos (entre todos de todos): Amarcord. E a cena é o universo escolar de Fellini, satírico, irônico, quase surreal. Se eu "pudesse" cortar o filme e pegar só um pedaço dele pra mim, seria esse (com certeza):